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Era uma irmã boa, boa, boa, boa.

 

A irmã Celeste do Céu Ribeiro tinha nascido em 4 de junho de 1927. Faleceu, no hospital, enquanto aguardava para fazer exames complementares.

Passava das 22:30, do dia 25 fevereiro 2022, o dia a seguir à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Porquê ressaltar a coincidência? Porque a tónica dessa irmã era a paz que espalhava à sua volta e a forma como dirimia conflitos.

Sabemos como nos inícios as irmãs mudavam frequentemente de comunidade. A irmã Celeste do Céu, contava muitas histórias dos sítios para onde tinha sido mandada. Histórias de Lagarinhos, do Colégio de S. José, de quando esteve como cozinheira no Lar Académico da Guarda, de Samora Correia, das servas externas de Manteigas andarem pedir esmola para as meninas do patronato; e, das recorrentes idas para a Figueira da Foz, com as colónias dos rapazes do Outeiro.

Tarefas fixas parece não ter tido. Fazia o que lhe pediam. Além de cozinheira, as limpezas, a gestão das empregadas com quem trabalhava mano a mano. Encarregou-se das despensas, tal como também a recordamos na lavagem. Sempre trabalhos discretos. Antes da irmã Conceição que para sempre ficou associada aos rapazes mais novos do Outeiro – os Benjamins, esteve lá ela, assumiu as qualidades de uma mãe.

Havia uma rapariguita por ali, pelo Outeiro de São Miguel, a quem parece que prestavam menos atenção. Mereceu-a toda, da sua parte. Praticamente a criou. Sem revelar nomes, criou-lhe também a filha que regularmente a vinha visitando, sem deixar de o fazer quando ficou confinada no quarto e até acamada, nos últimos 4 anos.

Durante a doença, não se queixava. Reagia aos mimos com agrado, nada exigia. Foi um exemplo para todos.

Teve dúvidas? Abalos?

Sem dúvida, que os primeiros tempos foram muito difíceis para todos.

Esteve fora e não foi apenas para tratar da mãe.

Caracterizando-se pelo espírito de serviço, aderiu à Obra de Santa Zita, fundada pelo amigo do sr. D. João, o Monsenhor Alves Brás, (também este declarado venerável pela Santa Sé).

Mas deixou muitas saudades. E, pelos vistos, também as teve.

Regressou. Foi acolhida.

Nunca ninguém a ouviu falar mal fosse de quem fosse.

Até à poucos anos, no Outeiro, manteve-se fiel nas adorações noturnas. Calhavam-lhe as horas mais difíceis, das 4:00 às 6:00 da manhã.

Agora, parece que voltou a ausentar-se. Deixa de novo muitas saudades... e se por acaso também as tem, nós lhe pedimos: «continue a fazer a paz e dirimir conflitos, como sempre o fez».



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