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Maria Canelas é para nós um modelo de vida.

Maria do Nascimento Canelas, foi uma rapariga de Vale das Éguas, que aos 20 anos foi para a comunidade da Liga dos Servos de Jesus, na Ruvina. Morreu aos 88 anos, dia 2 de janeiro de 2022. Esteve acamada nos últimos meses - dois na Ruvina e os outros, quase dois, no lar para idosos do Rochoso onde se abrigou por vontade própria. A sua capacidade de acolher, servir e fazer caridade tem muito para ensinar-nos.

     E não. A sua vida não se resumiu a acarretar travessas, louça e a dispor a mesa para as irmãs; embora todos a tenhamos visto a fazer isso, com simplicidade.

   Na aldeia visitava os doentes, porventura os mais esquecidos e abandonados. O dinheiro que lhe davam aplicava-o em esmola nas missas, oferecia-o nos peditórios para o seminário, devolvia-o para contribuir para as despesas da casa, desprendia-se. 

   


     Tinha arterite, a deformação nas articulações é bem visível na fotografia. As dores deviam ser grandes mas… descentrando-se de si, referia-se ao seu sofrimento apenas em jeito de meditação: «Nosso Senhor sofreu muito mais». 

       De manhã, era a primeira a chegar à capela. E, à medida que foi perdendo a capacidade de ouvir, mais tempo reservava, durante o dia, para o diálogo íntimo diante do sacrário. 

   Tinha particular atenção aos sacerdotes. O 1.º terço do dia rezava-o pelas intenções do Santo Padre, do bispo diocesano, do pároco, pelos sacerdotes e pelos seminaristas - confidenciou-o recentemente

    Construiu comunidade, o trabalho nunca o encarou como fardo mas como oportunidade de ser útil.             

     Parecia preferir colocar mais pratos e transportar mais comida do que quando o serviço era menor. Ficava no refeitório a conviver, sem apressar os convivas e os familiares que visitavam a comunidade. 

     Quando o sr. padre avisava que não vinha para almoçar punha-lhe o lugar na mesma. 

     «É a forma de o manter presente», explicava. 

    E, na mesa, estão ainda estão as saquinhas de guardanapo, com fruta bordada em ponto-cruz, que personalizava e oferecia aos mais habituais na refeição. 

      Para as meninas da Guiné, que viveram na Ruvina, fez botinhas de lã, pois pouco habituadas ao nosso clima, tinham quase sempre frio. 

    Era Maria no nome; e era, guardadas as devidas proporções, como Maria: ativa nas tarefas pequenas, humildes, necessárias ao bem-estar dos outros; mas, sem deixar de ser contemplativa e dando prioridade ao espiritual. 

   É por isso que a irmã Maria Canelas é, para nós, um modelo de vida.  



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