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Lusitana Alves dos Santos

 A irmã Lusitana era a mais nova de dez irmãos.

Deu entrada na Liga dos Servos de Jesus, com 22 anos, no dia 07/02/1951, na comunidade da Cerdeira, depois ter feito um retiro espiritual com Sr. D. João Oliveira Matos.

Serva das que bebeu o carisma do fundador na fonte; nela, o espírito, tornou-se numa nascente água viva. 

Mais do que um bom temperamento de raiz, foi-se polindo e contrariando, foi-se aperfeiçoando chegando com a continuação a assenhorear-se de virtudes em grau elevado. 

Aponta-se-lhe, como muito marcante, a obediência, em especial aos superiores. 

Também o amor à Igreja, de uma forma muito prática, na atenção à vida paroquial; e concreta, nas obras de caridade aos pobres que estivessem perto de si. 

Muito ligada à família, em especial aos que mais necessitassem de um conselho, um estímulo ou uma presença talvez quase silenciosa mas, sempre muito sensata, isso nunca a impediu de estar disponível para trabalhar onde a achassem moldada. 

 À altura em que a emigração para França tomou proporções maiores, na Cerdeira, assumiu o lar para as colegiais que frequentavam a Escola Regional, naquela localidade. 

Cunhava-se assim, na irmã Lusitana, com detalhes consistentes, mais uma das suas facetas e virtudes marcantes: o acolhimento. 

Assim apoiadas, as alunas destas terras beirãs, sentiram confiança para voos mais altos e quiseram seguir para carreiras universitárias. 

E foi à irmã Lusitana, a quem não foram dados estudos, nem progrediu em graus académicos depois que aderiu à Liga dos Servos de Jesus que foi pedido que abrisse um lar em Lisboa, na Rua de São Bernardo, perto da Assembleia Nacional, para dar resposta a estas justas ambições das estudantes. Não se escondeu, nem recuou um passo. Mais tarde, abriu a mesma valência: Lar de estudantes, já noutra localidade da cidade, na Rua Ferreira Borges, onde esteve anos, como responsável.

Em Lisboa, nunca descurou a presença na paróquia e o apoio ao pároco. O lar que dirigia era pólo de atração dos servos externos a residiam em Lisboa, e que ali iam avivar os seus ideais.

Veio depois, para a casa de Santa Luzia, onde a missão se mantinha na mesma linha: acompanhar jovens estudantes dos vários níveis de ensino. Estávamos já numa época em que o ensino superior, num Instituto Politécnico, tinha chegado à Guarda. Mostrou em diversos contextos e ocasiões, abertura e sensibilidade para as vocações de consagração na Liga dos Servos de Jesus.

Foi construído o Centro Apostólico D. João Oliveira Matos, a irmã Lusitana celebrava 58 primaveras; a sua obediência e desprendimento ditaram aos superiores que a ela recorressem para abrir esta casa diocesana. Evidenciou abnegação, disse: "sim" ao serviço.

Anos mais tarde, estava em Celorico da Beira para descansar, na casa: D. João de Oliveira Matos, quando lhe pediram que ali mesmo prestasse serviços, uma vez mais, como responsável e coordenadora.

Uma estreita relação com o pároco e a abertura atividades com os servos externos existiam, a par com a atividade de creche e jardim de infância.

No ano de 2012, a caminho dos 85 anos, regressou à comunidade onde entrou, à Cerdeira, localidade vizinha do Monte Margarida que a vira nascer, crescer e fazer mulher. 

A sua presença foi, uma vez mais, edificante, estando atenta às necessidades das irmãs doentes no refeitório e aconchegando-as. Na vida comunitária era pontual e assídua à oração. Animada pelo carisma do senhor D. João, como em Lisboa, na Guarda e em Celorico, manteve a vida na paróquia como caminho de predileção, e uma especial atenção aos serviços que pudesse prestar aos pobres. 

Adoeceu e foi ficando bastante debilitada e a precisar de cuidados mais específicos, foi para o Centro de Acolhimento de São João de Deus.

A sua saúde piorou e no terceiro dia, num quarto do hospital da Guarda, a 7 de março de 2021, o Senhor chamou-a para mais junto de Si.

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